OUTRAS AFRICAS Imprimir E-mail
Ah pobre África
Quem derramou teu leite neste mar de nada?
Em que bolso fundo se escondem teus diamantes
E quem tão sem brilho
Deixou
Os olhos de teus filhos?

Quem autorizou a fome a devorar teu nome
E fez dos teus caminhos uma viagem de encontro à dor?
Ó ébano, ó brilhante noite, ó matriz dos homens
Quem chancelou a cobiça, embaixatriz insone
A saquear tuas fontes de amor?

Ah minha reluzente negra, quem traficou meus ancestrais
A cristandade, a Companhia das Índias, a mercantil Europa?
Quem rasgou a tua roupa de leopardos e leoas?
Quem arquitetou desconstruído o teu futuro?

Quem mais selvagem que tudo a ti atribuído fez acreditar que todo mal
Todos os males, todas as maldades, que a ti fizeram, fossem assim admitidas razoáveis?
Que besta foi mais selvagem que todas as tuas feras?
Que sorridentes bocas foram mais vorazes que as presas de tuas panteras?
Que sinfônicas infernais tocaram mais alto que teus gritos ancestrais
Que doutrinas silenciaram tuas razões milenares
Que deuses maiores quebraram os arcos e machados dos teus guerreiros justos e audazes?
Que feitiçaria maior que a tua vaticinou teus males?
Quem tapou a boca dos teus ais

Oh minha negrinha, quão imenso é o continente que nos dói

Mas acorda, ainda há tempo
Escuta o canto do teu renascimento
Vem vindo o amanhã

 
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