SALVE O POVO DOS QUILOMBOS. Imprimir E-mail
QuilomboNENHUMA PRISÃO, NENHUMA DOR.
NEM NA ALMA, NEM NO LOMBO.

Quilombola é um povo, que até poderíamos chamar de nação, uma vez que tem uma cultura comum, própria, criada por suas vivências seculares, cuja espinha dorsal é a resistência e que tem como espírito mantenedor a liberdade. Apesar da descontinuidade territorial, existem remanescentes dos quilombos em quase todo Brasil, reunindo mais de um milhão de indivíduos em cerca de 700 povoados. Somente na Bahia há um número representativo de territórios quilombolas, pois mais de 200 comunidades têm o reconhecimento oficial de remanescentes.


Perseguidos desde o primeiro instante, até hoje lutam pela visibilidade social e pelo amplo gozo dos direitos que devem ser assegurados a todos os cidadãos do nosso país. Lutam sem lamentações, sobretudo, ligados á terra, lavorando, sustentando um patrimônio material e imaterial, que o Brasil precisa integrar, estendendo a este povo as possibilidades de poder ter a posse de seus territórios garantida, assim como de assegurar a todos eles, quilombolas remanescentes, os benefícios da nossa civilização, que eles e seus ancestrais construíram, com um legado imenso de saberes e fazeres, específicos, diferenciados e ricos.

Foram empobrecidos pela origem e pela história, adversidades construídas pelo trabalho escravo, do qual escaparam pelo exemplo da insubmissão, pagando o preço da perseguição, negação e desprezo, que ainda se mantém, apesar dos séculos não terem apagado e exterminado a força construtiva dos seus valores.

A AMAFRO é, simbolicamente, um quilombo,.uma frente de batalha pelo reconhecimento desta cultura, que a história nacional não conseguirá apagar. Este projeto simples é um sinal para que outras manifestações tirem os quilombolas do isolamento, pela integração deste povo e reconhecimento dos seus valores. Eles pertencem ao melhor Brasil. Eles são cidadãos que preservaram a dignidade de não negar sua própria cultura, preservando-a, se organizando em torno da memória de seus ancestrais, engrandecidos pelo símbolo da resistência.

A AMAFRO agradece à SEPPIR, especialmente à Ministra Matilde.Ribeiro a oportunidade de poder manifestar com este projeto a sua adesão à luta pela visibilidade destes afrodescendentes isolados, perseguidos, despossuídos, muitas vezes, de direitos elementares - educação e saúde e trabalho, sem participação na distribuição da renda nacional  e ameaçados de perder a terra que herdaram de seus tataravôs, bisavós e avós, que conquistaram este território com luta e trabalho.

Por eles, com eles, para eles, viva os quilombolas.

Jose Carlos Capinan


pdf Leia o Projeto Educativo Reconstruindo o Quilombo.
 
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