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AMAFRO discutiu formação étnica brasileira Imprimir E-mail
Evento contemplou estudantes, militantes e pesquisadores da capital baiana com debate sobre diversidade cultural e identidade nacional


Como se define a identidade nacional do brasileiro? Devemos contemplar a diversidade cultural ou continuar a manter os guetos segracionistas? Podemos falar em raça negra, indígena ou branca? Essas foram algumas questões levantadas na mesa redonda “22 de abril de 1500 e o Brasil” promovida pela AMAFRO (Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira). O evento integra o Programa Diálogos Afro-Brasileiros desenvolvido pela instituição e teve como palco a própria sede da AMAFRO, localizada no Edf.Themis, Centro Histórico de Salvador. O debate contou com a participação de Juvenal de Carvalho (Mestre em História da África e Prof. da UEFS e UNIJORGE), Cecília Soares ( Dra. em Antropologia da UFBA), Jaime Sodré  (doutorando em História Social) e Antonieta Daguiar Nunes ( Faculdade de Educação da UFBA). 


jaime_sodreA discussão mediada pela antropóloga Nivalda Costa, foi iniciada com  a intervenção da Prof.ª Antonieta Daguiar, que enfatizou sobre a ausência de discussões que ponham em pauta a figura do índio no cenário  da formação brasileira. De acordo com o historiador Jaime Sodré, a sociedade tem que estar atenta para não reproduzir uma idéia reducionista de que só três culturas ajudaram a compor o país. As contribuições e influências dos franceses, holandeses e espanhóis, por exemplo, também devem ser consideradas. “A gente tem que entender esses povos para não cair em um olhar simplista sobre a composição étnica do Brasil”, frisa. Ao analisar as etnias presentes na cultura brasileira, Jaime Sodré, ressaltou o sentido de exploração que possui o termo “descobrir” utilizado pelos colonizadores. Como exemplo disso, citou o apoderamento dessa expressão, atualmente, pelos panfletos turísticos de Salvador, intitulando como “exploração moderna”.Entretanto, lembrou uma frase do cantor Caetano Veloso que diz ''quem descobriu o Brasil foi o negro” e aí ponderou : “descobrir também pode ser conhecer”.


O processo de colonização do Brasil, de acordo com Juvenal de Carvalho, é retratado pelos livros didáticos como uma “descoberta” que ocorreu em 22 de abril, quando, na verdade, os portugueses já sabiam da existência do país e nesta data só fizeram efetivar a posse.  “Essa visão de colonização cordial, a gente tem que sempre procurar derrubar”. Segundo ele, as palavras possuem uma importância muito grande no imaginário social. Como demonstração, se referiu a repetição inadequada pelos alunos da expressão “negro escravo” em substituição a "negro escravizado”. Desse modo, destacou que os estudantes costumam associar a escravidão à população cecilianegra, chegando acreditar que os escravos na Grécia também eram negros. “A utilização de determinadas palavras acabam naturalizando preconceitos e estigmas”, pontuou. 


No que diz respeito a esse campo lingüístico, a antropóloga Cecília Soares chamou atenção da platéia sobre a ideologia que está por trás da palavra tradição. Para ela, a apropriação e emprego desse termo merecem uma maior reflexão. “A manutenção de certas práticas sociais, geralmente, acabam não representando o interesse de todos”.


A mesa redonda, para José Carlos Capinam, militante cultural e Presidente da AMAFRO, não possui a intenção de encontrar verdades absolutas e sim, estimular a reflexão e o debate sobre a diversidade cultural brasileira. “Essa vai ser a função também do nosso museu, permitir o trânsito, provocar a reflexão e construir a alteridade para conhecer o outro”, frisou.


Jaqueline Barreto/ Assessoria de Imprensa.



                   
 

                

 
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