| Memória preciosa |
Fonte: Correio da BahiaAntiga Casa do Tesouro vai abrigar as obras do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira Imóveis doados pelo estado serão restaurados com recursos obtidos através da Lei Rouanet. Não poderia haver endereço mais adequado para abrigar um museu voltado para a preservação da memória e da cultura afro-brasileiras. Após cinco anos de negociação, finalmente começarão, na antiga Casa do Tesouro, na Rua do Tesouro, as obras do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), equipamento criado para ser uma instituição de resgate, preservação e difusão do patrimônio afrono Brasil. A autorização para as obras nos edifícios nº 1 e nº 2, localizados no Centro Histórico de Salvador, será dada amanhã. Os imóveis doados pelo estado serão restaurados com recursos obtidos através da Lei Rouanet, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal. Os dois prédios, que têm cerca de 4,5 mil metros quadrados, são tombados pelo Iphan e foram incluídos no Programa Monumenta Salvador do governo federal. Segundo as primeiras pesquisas feitas pelo historiador Jaime Sodré, a área onde funcionará o Muncab corresponde à região onde bateram os tambores do primeiro terreiro de candomblé da Bahia. O prédio do Antigo Tesouro será utilizado exclusivamente para as atividades museológicas enquanto que, em frente a ele, no Edifício da Rua do Tesouro nº 2 - um anexo nos fundos da Igreja da Ajuda onde funcionou o primeiro pronto-socorro da Bahia _ serão desenvolvidas atividades de pesquisa e de administração. O Museu Afro-Brasileiro, localizado no prédio da antiga Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, será parceiro do novo museu. Em funcionamento há 21 anos, o Museu Afro-Brasileiro, é uma extensão do Centro de Estudos Afro-Orientais da Bahia (Ceao). Depois da reforma, além do acervo da instituição baiana, o museu nacional deverá reunir acervos da cultura africana que estão espalhados em vários estados e que atualmente não estão recebendo o tratamento adequado. "Quando as obras forem iniciadas, nós vamos começar os estudos acerca do acervo. Nossa pretensão é que este seja o maior centro de referência da cultura africana na América Latina", explica o presidente do grupo idealizador do projeto, a Associação dos Amigos da Cultura Afro-brasileira (Amafro), José Carlos Capinam. O museu vai reunir, além de obras, fotografias e peças, documentos importantes do culto afro que estão espalhados pelos diversos terreiros do estado. A intenção é que o museu baiano seja uma instituição experimental que, além de um acervo fixo, também abra espaço para exposições itinerantes, intercâmbio com países africanos e cursos. "O Muncab será um museu de referência e vai trabalhar em rede com os outros museus do gênero", enfatizou o presidente da Amafro, que destacou a importância cultural do museu. "O museu quer ter uma função pedagógica onde a emoção e o conhecimento se apresentem juntos", disse. Outra preocupação do Amafro é com a auto-sustentabilidade do museu. Sem dispensar os recursos da União, já que é uma instituição federal, o museu contará com um plano de geração de recursos através de convênios, produção de mostras e implantação de lojas e restaurantes. |